Nester Korolev gira uma maçaneta. O microscópio clica. Aí está. Uma pequena partícula de mineral, formada a centenas de quilômetros abaixo, olha para trás. Ele nunca viu essa coisa específica antes. Nem mais ninguém. Normalmente, essa coisa das profundezas da Terra se desfaz no caminho para cima. Mas os diamantes são difíceis. Eles prendem esses minerais. Mantenha sua estrutura segura.
Este não é apenas um achado de sorte. Novos lasers e raios X mudaram o jogo. Geólogos como Korolev, do Museu Americano de História Natural, estão examinando lugares que antes não podiam tocar. Um pesquisador chama isso de “explosão” de novas descobertas do manto. Aquela camada de rocha rasteira entre a crosta e o núcleo.
Estamos vendo coisas como breyite e goldschmidtite. Nomes dados aos principais cientistas, naturalmente. Cada um adiciona uma peça do quebra-cabeça. As rochas se transformam sob calor e pressão. Isso muda a forma como calculamos o volume de coisas como carbono ou hidrogênio armazenado dentro do planeta.
Tome bernwoodita. O cristal sob as lentes de Korolev. É uma das duas novas descobertas dele e de sua conselheira Kate Kiseeva. A Associação Mineralógica Internacional os reconheceu oficialmente. Porém, eles ainda não anunciaram a bernwoodite. Talvez eles ainda estejam digitando o memorando.
O que essas pequenas manchas nos dizem? Tudo.
As diferenças químicas comprovam que o material se move com eficiência. Da superfície à escuridão profunda e vice-versa. A Terra é uma máquina de mistura. Sem ele, o manto seria enfadonhamente uniforme. Em vez disso, temos variedade.
Considere kopilovita. Encontrado em um diamante americano de uma mina morta no Wyoming. Vive no manto superior. Algumas dezenas de quilômetros abaixo? Claro. Até duzentos? Possivelmente. Possui titânio e potássio. Esses elementos ficam nas rochas da crosta. Portanto, a Kopylovite provavelmente se forma quando os sedimentos são sugados para o manto durante a subducção. Os sismólogos sabem que as lajes são profundas. Mas será que os sedimentos descem no elevador? “Você precisa de muitos sedimentos”, diz Korolev. Ele acha que eles sobrevivem. Pelo menos até aqui.
Um pequeno detalhe. Kopylovite é raro de outra forma. Apenas três por cento dos minerais conhecidos têm nomes de mulheres. Esta homenageia Maya G. Kopylova. O pai dela, um poeta e físico russo chamado Gerzen, também está lá.
Bernwoodite vai mais fundo. Vem de um diamante brasileiro. Ele se forma quando outro mineral, davemaoita, se decompõe à medida que sobe para a zona de transição. São 410 a 660 quilômetros de profundidade. Os átomos se reorganizam violentamente. Picos de pressão. A presença de alumínio sugere que o material da crosta se envolveu em todo o manto inferior.
Isso é possível?
“Mais variedade do que se pensava”, diz Oliver Tschauner da UNLV. Ele não estava na equipe de pesquisa, mas conhece seus minerais. Eles foram esquecidos. Agora nós os vemos.
Kiseeva já está trabalhando. Ela tem mais candidatos a diamante. Mais manchas esperando. “Continuamos”, diz ela.























