Sean Duffy não se importa com sobrancelhas. Quando assumiu seu novo cargo no ano passado, ele fez uma promessa contundente: a NASA está colocando um reator nuclear na Lua. Em 2030, ele disse. Não é um experimento pequeno. Uma usina totalmente desenvolvida. Projetado, construído e entregue. A maioria das pessoas ficou olhando. Realmente? Por que trazer fogo nuclear para a rocha?
Aqui está a questão. A energia solar é uma droga para a Lua.
A noite lunar dura duas semanas. É gelado. Escuro. Os painéis solares ficam ali congelados. Se a humanidade quiser permanecer permanentemente – e o programa Artemis implica que sim – precisamos de electricidade constante. Para mineração. Para habitats. Para produção de combustível visando Marte. Simon Middleburgh, da Universidade de Bangor, diz isso claramente. É a única opção para sobrevivência a longo prazo. Ele não é o único a ver o quadro. A China e a Rússia já estão a unir-se para construir um reactor até 2035. A corrida começou. “A energia nuclear na Lua acontecerá”, observa Middleburgh. Inevitável.
“É a única maneira de podermos sustentar uma base lunar adequadamente a longo prazo”
Mas não esqueçamos o cemitério. A história nuclear espacial é conturbada. Em 1978, um reator soviético desmoronou na atmosfera e despejou detritos radioativos sobre o Canadá. Um incidente internacional. Ninguém jamais projetou uma máquina para esse cenário infernal específico. A Lua é um deserto hostil. Restos vulcânicos. Variações extremas de temperatura. Pings de asteróides. Terremotos que não se comportam como os da Terra.
A linha do tempo de Duffy? Os críticos acham que é maníaco. Fornecer energia equivalente a oitenta residências americanas até 2030 no Pólo Sul? Nenhum humano esteve lá ainda. Bhavya Lal, da RAND Corporation, está preocupada. A velocidade mata a segurança. “Precisamos fazer certo”, ela argumenta. Ser o primeiro é bom, mas um desastre é permanente.
Katy Huff, da Universidade de Illinois, quer primeiro acalmar os nervos. Ela é engenheira nuclear. Ex-funcionário da administração Biden. Ela nos diz que o urânio não é o monstro que você pensa. Na sua forma bruta? Tedioso. Você pode segurá-lo. Como segurar um peso de chumbo. “Tóxico? Sim” Middleburgh concorda. “Coma? Não.” Torna-se perigoso apenas quando os nêutrons o atingem. Divida. Bum. Fissão. Aquecer. Eletricidade.
O problema é o resultado. O combustível irradiado é lixo quente. Altamente radioativo. Esse é o desperdício sobre o qual Huff alerta. Mas para as viagens espaciais esta cascata dura anos. Décadas mesmo. Não há paradas para reabastecimento.
Já fizemos isso antes. Tipo de. Geradores termoelétricos de radioisótopos ou RTGs. Eles alimentaram os experimentos Apollo e os rovers de Marte. Pequenas baterias funcionando com decaimento de plutônio. Não reatores. Apenas pedras quentes produzindo corrente contínua. Isso funciona para um rover. Não para uma cidade. Uma base precisa de calor. Necessita de tratamento de água. Precisa dividir H2 e O2 para combustível de foguete. Os RTGs são muito fracos. A NASA e seus parceiros passaram anos planejando 40 quilowatts. Razoável. Escala de edifício de escritórios. Duffy queria 100. De repente.
Huff não entende o salto matemático. “Nenhuma evidência”, ela diz. Apenas grandes números. No entanto, Sebastian Corbisiero, do DOE, diz quatro anos para um reator sob medida? Agressivo, mas alcançável. Jared Isaacman, o atual administrador da NASA, dobrou sua aposta em março. Ele até anunciou uma sonda de Marte usando propulsão elétrica nuclear com lançamento em 2028. Space Reactor-1. Teste a tecnologia antes de plantá-la no pó.
Lauren Lal permanece otimista. Os registros de segurança são sólidos. “Obviamente as coisas dão errado”, ela admite. Não existe risco zero. Lindsey Holmes, da Mecânica Analítica, concorda. Mantê-lo seguro durante o lançamento é o grande obstáculo. Lembra dos soviéticos? Eles lançaram dezenas de reatores. Muito bem. Depois houve o Kosmos 954. Setembro de 1977. Três meses depois, ele começou a oscilar. Os soviéticos escondem o problema. Tente empurrar o núcleo para o espaço. Falhar. Acidente iminente.
Janeiro de 1978. O Canadá acorda com neve radioativa.
Operação Luz da Manhã. Trajes Hazmat no norte gelado. Grilo é como clicar em dosímetros. Sem mortes. Três milhões de dólares canadenses pagos pelos soviéticos. Uma lição aprendida em alto e bom som: não ligue o motor até pousar. Até que o interruptor seja acionado, não haverá resíduos dentro do invólucro.
O combustível é importante. Partículas TRISO são a resposta. Pelotas minúsculas. Como gobstoppers. Núcleo de combustível preso em camadas de cerâmica e carbono. Middleburgh os chama de milagrosos. Jogue lava neles. Bata-os nas pedras. Eles sobrevivem intactos. Se o foguete explodir? Grande perda econômica. Mas você pode varrer isso.
O ambiente continua brutal. As temperaturas oscilam em 450 graus Fahrenheit do meio-dia à meia-noite. Terremotos lunares. Vácuo. Gravidade que não oferece suporte. No entanto, a tecnologia nuclear é difícil. Os submarinos nucleares provam isso. Eles flutuam em profundidades extremas. Seja machucado. Receba golpes em cenários de combate. “Eles são robustos”, insiste Middleburgh. Fukushima e Chernobyl dominam a memória. Mas eles são os outliers. Milhares de reatores funcionam bem diariamente.
Ainda. O desastre é possível. Um colapso não explodiria para fora. O núcleo simplesmente derrete. Contido normalmente. Na Lua, torna-se um perigo permanente. Um pedaço de metal radioativo no solo. Inacessível por gerações. Ou pior. E se escorrer?
