É irritante. É isso que é. Um pequeno e invisível soluço no tempo que derruba servidores.
Os cronometristas globais estão se preparando para votar. A proposta? Mate o segundo bissexto. Substitua-o por algo muito maior: uma hora bissexta. Poderemos ver isso já em 2027, o que parece ridículo até considerarmos quanto custa a alternativa.
O Relógio Quebrado
Fazemos isso desde 1972. O Bureau Internacional de Pesos e Medidas (BIPM) inventou o segundo bissexto porque a rotação da Terra diminui, gradualmente, de forma imprevisível. O Tempo Universal Coordenado (UTC) permanece rígido, atômico e perfeito. A Terra oscila. Então, uma vez por ano, talvez menos, acrescentamos um segundo extra para recuperar o atraso.
Funciona no papel. Em computadores? É um desastre.
“Sempre foi um problema.”
Este é Judah Levine, ex-físico do Instituto Nacional de Padrões e Tecnologia dos EUA, resumindo quarenta anos de trabalho doméstico temporal.
O código moderno odeia paradas repentinas. As mensagens chegam fora de ordem. Os logs são corrompidos. Vimos o Meta travar. Reddit fica escuro. Cloudflare tropeçou. Aviões aterrados. Corretores de ações suando por milissegundos perdidos. Como as redes exigem precisão de nanossegundos, o segundo bissexto é uma pedra no sapato. Os desenvolvedores pararam de ouvir o BIPM anos atrás, implementando seus próprios patches, espalhamentos de segundos que diluem o tempo extra em horas, em vez de aplicar tudo de uma vez.
A ameaça negativa
É aqui que fica pior. Desde 2016, a Terra parou de desacelerar. Começou a acelerar.
Nenhum segundo bissexto adicionado. Apenas silêncio.
Mas agora enfrentamos um problema diferente. Se a Terra girar mais rápido, o UTC ficará para trás. Para consertar isso, precisaríamos de um segundo bissexto negativo. Exclua um segundo da existência.
Isso já foi testado? Não. Isso vai quebrar as coisas? Provavelmente tudo. Não sabemos, mas todos presumem um fracasso catastrófico. O risco não é hipotético; está se aproximando.
A correção da hora
Os cronometristas têm arrastado os pés, realizando conferências a cada quatro anos, debatendo limites. Em 2022, eles concordaram em afrouxar as regras até 2035, permitindo que o UTC se afastasse ainda mais da rotação da Terra sem correção. Uma rede de segurança.
As projeções dizem que isso não importa. O relógio está correndo. Antes de 2035, a matemática diz que poderemos precisar daquele perigoso segundo bissexto negativo.
Digite a hora bissexta.
Em vez de fixar o tempo todos os anos com um único e chocante segundo, adicionamos – ou subtraímos – uma hora inteira. Uma vez. Talvez em dois séculos. É um instrumento contundente, sim. Mas está estável. Ele permite que o UTC e a Terra girem sem interferência constante, suavizando as bordas irregulares que travam o software.
Patrizia Tavella, diretora de Tempo do BIPM, não tem interesse em esperar até 2035 para estar segura.
“Se esperarmos até 20235, teremos 330% de risco.”
Trinta por cento de chance de um desastre? Muito alto. Tavella perguntou aos stakeholders o que eles achavam. E se o risco caísse para dez por cento? Eles ainda disseram não. Margem de segurança insuficiente para a espinha dorsal do mundo digital.
A meta é implementação em 2027. A votação se aproxima. Estamos prestes a nos estender por uma hora ao redor do globo. Ou comprima-o.
