Um espelho no escuro

Os EUA aprovaram na semana passada.

Reflect Orbital lança Eärendil-1. Um satélite de teste. Seu trabalho? Irradie a luz solar para áreas específicas da Terra para transformar a noite em dia. Ideia simples. Consequência terrível. Os astrônomos estão cambaleando.

A FCC disse que sim.

Eles analisaram mais de 1.800 comentários de pessoas gritando sobre o céu se transformar em dia. A resposta foi basicamente “não é meu departamento”.

Brilho, não luz

Não se trata de um ambiente noturno suave. É um olhar duro.

O satélite carrega um espelho direcionável de 18 metros. Quando acende, qualquer coisa em seu caminho vê um ponto quatro vezes mais brilhante que a lua cheia 🌕. Imagine sair de casa às 2 da manhã e o céu está iluminado por um holofote apontado para você. Essa é a visão.

Samantha Lawler, professora de astronomia no Canadá, está assustada. Ela vê as lacunas regulatórias. Eles são largos. Eles são profundos. O Reflect Orbital acabou de passar por eles.

“Isso mostra os buracos gigantescos que existem”, disse Lawler. “Estou realmente preocupado com o futuro.”

Um satélite? Um milhão de problemas

A FCC chamou isso de “pequeno risco”. Um teste. Um experimento.

Mas o plano de negócios envolve 50 mil espelhos até 2035 🛸.

Olivier Hainaut analisa os números no Observatório Europeu do Sul. Ele fez simulações. O resultado é sombrio. O céu noturno global poderá tornar-se três ou quatro vezes mais brilhante. Em todos os lugares.

Os cantos mais escuros da Terra – os lugares que os cientistas vão para encontrar os sinais mais fracos do universo – pareceriam tão brilhantes quanto os subúrbios.

Pense no custo.
* Os ritmos da vida selvagem quebram.
* Os observadores das estrelas não veem nada além de fumaça de luz.
* Os sensores do telescópio queimam se olharem diretamente para ele.

“Não se trata de retardar o progresso”, observou Hainaut. “Só para não fazer nada estúpido.”

Quem é o dono da escuridão?

A FCC controla as frequências de rádio. Eles dizem poluição luminosa? Fora da pista deles.

Então, quem é o dono do céu?

O Tratado do Espaço Exterior da ONU existe. Assinado em 1967. Diz que as nações são responsáveis ​​por aquilo que lançam. Proíbe a “contaminação prejudicial”. Os astrónomos argumentam que esta luz conta como contaminação. Os EUA discordam – ou pelo menos o regulador dá de ombros.

Aqui está a armadilha: você pode processar após o dano. Você pode ser pago. Mas se um satélite bloquear a visão de uma supernova rara que ocorre uma vez por século, nenhuma quantia de dinheiro a trará de volta. Os dados desapareceram. O momento passou. Você não pode desfazer o tempo.

Um sistema fraturado

Já temos mais de 14.000 satélites ativos. Só o Starlink está ultrapassando os 10,00. A fila tem propostas para mais 1,7 milhão.

Está ficando lotado. Arriscado. Brilhante.

Betty Kioko do ESO observa a reação internacional. Os membros do COPUOS estão preocupados. Uma decisão da FCC num país muda o céu para todos na Terra. O efeito cascata é global.

As academias de ciências do G7 escreveram uma declaração conjunta em maio deste ano. Eles querem um novo tratado. Eles querem uma organização mais forte do que o sistema atual para lidar com o tráfego espacial e o impacto ambiental. Eles acham que estamos caminhando sonâmbulos para o caos.

Refletir Orbital promete responsabilidade. Um porta-voz afirma que eles estão trabalhando com a National Science Foundation para minimizar os danos. Eles querem “regras claras”. Eles querem supervisão.

Parece razoável.

Roohi Dalal, da Sociedade Astronômica Americana, percebe isso. Ela está pressionando o Congresso a intervir. Exigir que a FCC inclua cientistas no processo, e não apenas após o fato.

A pesquisa científica liderou a América. Ele definiu o século passado. Mas a nova corrida tecnológica ignora a velha sabedoria. Estamos construindo a escada e quebrando os degraus.

O primeiro espelho chegará ainda este ano.

O que acontece com o céu quando ele pousa?