Os insetos são a configuração padrão da vida terrestre. Formigas. Abelhas. Moscas. Baratas. Você não pode sacudi-los. Eles estão em toda parte, exceto em um lugar. O oceano.

É um ponto cego biológico. Apesar de seu domínio evolutivo em terra, essencialmente não existem insetos vivendo no mar. Na verdade. Um estudo recente oferece pistas, mas também destrói uma suposição de longa data.

A pressão não é a barreira

Durante anos, os cientistas operaram com base numa lógica simples. Os insetos possuem sistemas traqueais. Tubos de ar. Empurre-os para o fundo e a pressão deverá esmagar os sacos de ar como latas de refrigerante vazias. Implosão. Game Over.

Essa teoria está errada.

O artigo elimina essa limitação específica. Como sabemos? Veja Chaoborus edulis, a mosca do lago. Essas larvas mergulham. Profundo. No Lago Malawi, na África, eles descem aproximadamente 250 metros. Isso é 820 pés. Apenas para se esconder de peixes predadores.

“Isto está muito além do que pensávamos que eram capazes”, diz Philip Matthews, professor associado de zoologia na UBC.

A biologia do mergulho

A equipe não apenas adivinhou. Eles usaram sonar para rastrear as larvas. Durante a noite, os insetos ficam próximos à superfície. Ao amanhecer, mergulham a profundidades de até 257,9 metros. Por que? Para evitar ser comido. É uma migração diária que desafia a fisiologia convencional dos insetos.

Mas a verdadeira magia é microscópica. Os pesquisadores levaram algumas larvas para o laboratório e examinaram seus órgãos respiratórios. Especificamente, eles analisaram a resiliência. Esta proteína dá aos insetos seu salto. Na maioria dos bugs, é passivo. Apenas armazenamento. Proteção.

Nessas moscas do lago, ele está ativo. A resiliência contrai-se e expande-se sob pressão. Ele se ajusta. Impede o colapso dos sacos de ar.

“Conectar todos esses diferentes níveis [bioquímica, mecânica, ecologia] é o que há de tão interessante neste artigo”, diz Natasha Mhatre, da Universidade de Western Ontario.

O estudo é descrito como “lindo” pelos colegas. Ele liga a bioquímica molecular à ecologia em larga escala de uma forma que parece quase elegante.

Então por que não o oceano?

Se a pressão não é o problema, o que é?

O estudo prova que os insetos podem sobreviver em ambientes de alta pressão. O sistema respiratório é adaptável. Ele aguenta o aperto. Isso deixa um buraco na narrativa científica.

O mar profundo não é o muro que os mantém afastados. Outra coisa é.

Talvez a salinidade seja tóxica. Talvez a teia alimentar seja simplesmente errada para eles. Ou talvez exista alguma outra barreira química que não identificámos. Matthews observa que a velha ideia da pressão como uma barreira intransponível foi desmantelada.

“Então isso deixa essa questão em aberto”, diz ele. “Quanto ao que os mantém fora do ambiente marinho.”

Sabemos o que não os está impedindo. Ainda não sabemos o que é.