Uma imagem impressionante de um bisão americano, capturada há quase duas décadas pelo fotógrafo de vida selvagem Tom Murphy, em breve adornará um selo postal dos Estados Unidos. A foto, tirada no Vale Hayden, no Parque Nacional de Yellowstone, durante a temporada anual de reprodução do bisão, simboliza a notável resiliência da espécie.

Um símbolo de sobrevivência

Os bisões são uma das últimas megafaunas sobreviventes da época do Pleistoceno, um período em que criaturas enormes como mamutes e lobos terríveis vagavam pela Terra. Ao contrário desses gigantes extintos, o bisão resistiu a eventos de extinção natural e à aniquilação quase total pela caça humana. No início do século 20, o seu número diminuiu para apenas 300; hoje, os esforços de conservação trouxeram a população de volta para quase 500.000 em toda a América do Norte. Esta recuperação é uma prova da robustez do bisão e do poder de conservação.

A fotografia de Murphy mostra um jovem bisão, capturado num momento de observação enquanto espia por cima de uma colina os machos maiores e mais dominantes durante o cio. Esta cena resume a luta primordial do animal pela sobrevivência, um tema que ressoa profundamente na história do bisão.

Dedicação ao longo da vida do fotógrafo

Tom Murphy, o fotógrafo por trás da imagem, passou décadas documentando a vida selvagem de Yellowstone. Suas raízes no oeste americano são profundas, criadas em uma vasta fazenda de gado em Dakota do Sul, onde ele desenvolveu pela primeira vez uma reverência pela paisagem e seus habitantes. Ele trocou os estudos de química por uma câmera, optando por mergulhar na natureza, capturando a beleza crua da natureza.

O trabalho de Murphy vai além de Yellowstone. Ao longo de 50 anos, ele fotografou vida selvagem em todo o mundo, da Antártica à África. Mesmo assim, Yellowstone continua sendo seu foco central, um lugar que ele percorreu a pé, de esqui e até de helicóptero (uma vez a ponto de enjoar).

Um Yellowstone em mudança

Apesar da honra de ver seu trabalho em um selo nacional, Murphy expressa preocupação com as mudanças aceleradas em Yellowstone. As alterações climáticas induzidas pelo homem estão a provocar incêndios florestais mais frequentes e intensos, perturbando os ecossistemas e forçando os animais a adaptarem-se. O aumento das temperaturas afeta os padrões de migração, a disponibilidade de habitat e a sobrevivência de espécies como o pika, um dos assuntos favoritos de Murphy.

“Para ser honesto, provavelmente há criaturas e paisagens que nunca mais verei”, diz Murphy.

O novo selo é um lembrete do que resta, mas também um alerta severo sobre o que pode ser perdido. Murphy espera que suas fotografias inspirem maior consciência e ação para preservar essas paisagens icônicas e as criaturas que as chamam de lar.

Espera-se que o selo postal seja lançado ainda este ano, servindo como um tributo duradouro à resistência do bisão e um apelo para proteger o seu futuro.