Os pesquisadores revelaram o Antscan, uma biblioteca digital abrangente que contém digitalizações 3D de alta resolução de mais de 2.100 formigas individuais de 212 gêneros diferentes. Este projeto, publicado na Nature Methods, marca um salto significativo na pesquisa sobre biodiversidade ao utilizar tecnologia de imagem avançada para catalogar a anatomia desses insetos onipresentes.
A escala do projeto
As formigas são um dos grupos de animais mais abundantes e diversos da Terra, estimados em mais de 20 quatrilhões de indivíduos. A sua presença generalizada e comportamentos complexos tornam-nos cruciais para a compreensão dos sistemas ecológicos. No entanto, catalogar sua diversidade tem sido historicamente desafiador devido aos números e à dificuldade de estudo anatômico detalhado.
A equipe resolveu isso reunindo espécimes preservados de formigas de museus e coleções de todo o mundo. Em vez das tradicionais tomografias computadorizadas, eles usaram um síncrotron – um tipo de acelerador de partículas – para gerar imagens de raios X excepcionalmente detalhadas. Este método permitiu uma digitalização rápida, capturando cerca de 3.000 imagens por formiga em apenas alguns segundos.
Como funciona a tecnologia síncrotron
Os síncrotrons aceleram partículas carregadas a uma velocidade próxima à da luz em torno de uma pista circular. À medida que essas partículas aceleram, elas emitem intensos feixes de raios X capazes de penetrar até mesmo nos menores espécimes com grande precisão. Essa abordagem reduziu drasticamente o tempo de digitalização e, ao mesmo tempo, aumentou a qualidade da imagem. As varreduras resultantes revelam detalhes intrincados dos exoesqueletos, músculos, sistema nervoso e trato digestivo das formigas – incluindo características anatômicas e parasitas até então desconhecidos.
Importância para a Pesquisa da Biodiversidade
Antscan não é apenas uma coleção de varreduras; representa uma estrutura escalável para digitalizar grupos inteiros de espécies. Os dados acessíveis ao público permitirão aos investigadores analisar a anatomia das formigas com detalhes sem precedentes, descobrir relações evolutivas e identificar características únicas em diferentes géneros.
“Este projeto mostra um caminho para a expansão desta medida, eventualmente, para todas as espécies”, afirma Evan Economo, autor sénior do estudo.
Esta estratégia de digitalização poderia ser aplicada a outros grupos de insetos, fornecendo uma imagem mais completa da evolução dos insetos. A biblioteca servirá como um registro permanente para o estudo da morfologia e do comportamento das formigas, acelerando futuros esforços de pesquisa sobre biodiversidade.
A criação do Antscan demonstra como a tecnologia de ponta pode desbloquear conhecimentos sobre o mundo natural, fornecendo uma ferramenta poderosa para compreender e preservar a biodiversidade numa era de rápidas mudanças ambientais.






















