Um engenheiro de software acidentalmente obteve acesso às imagens da câmera ao vivo, ao áudio do microfone e aos dados de localização de quase 7.000 aspiradores de robô DJI em 24 países. O incidente destaca uma falha crítica de segurança nos dispositivos, levantando questões sobre as implicações de privacidade da tecnologia de casa inteligente cada vez mais conectada.

Acesso Acidental, Escala Global

Sammy Azdoufal, ao tentar criar um aplicativo de controle remoto personalizado para seu aspirador DJI Roborock, descobriu uma vulnerabilidade de back-end que lhe concedeu acesso a um número surpreendente de outros dispositivos. Ao utilizar um assistente de codificação de IA para fazer engenharia reversa na comunicação do robô com os servidores em nuvem da DJI, ele se deparou com um problema de credencial. Em vez de ficarem limitados ao seu próprio vácuo, os servidores o trataram como dono de milhares de outros. Isso significava que ele poderia visualizar transmissões de câmeras em tempo real, ativar microfones, compilar plantas baixas e identificar locais aproximados por meio de endereços IP.

Não se trata de hackear; trata-se de uma falha sistêmica na autenticação. A vulnerabilidade expôs um exército de robôs conectados à Internet que, nas mãos erradas, poderiam facilmente ter sido transformados em armas para vigilância.

Resposta da DJI e implicações mais amplas

DJI afirma ter resolvido o problema com duas atualizações implantadas em fevereiro, afirmando que nenhuma ação do usuário foi necessária. No entanto, o incidente sublinha uma tendência crescente: dispositivos domésticos inteligentes são alvos atraentes para agentes mal-intencionados. À medida que as famílias adotam mais robôs, incluindo modelos humanóides avançados, as vulnerabilidades provavelmente se tornarão mais difíceis de detectar.

O robô Romo, vendido por cerca de US$ 2.000, depende da coleta constante de dados – feeds visuais e plantas baixas detalhadas – para funcionar de forma autônoma. Esses dados são parcialmente armazenados nos servidores da DJI, criando um ponto centralizado de falha. A descoberta do engenheiro demonstra que estes sistemas muitas vezes priorizam a conveniência em detrimento da segurança.

Um padrão mais amplo de preocupações com privacidade

A vulnerabilidade do DJI não é um caso isolado. Controvérsias recentes envolvendo câmeras Ring, campainhas Google Nest e preocupações geopolíticas contínuas em torno dos fabricantes de tecnologia chineses ilustram um padrão maior de erosão da privacidade no espaço doméstico inteligente. Os legisladores dos EUA alertaram sobre os riscos de segurança dos dispositivos fabricados na China, embora as provas concretas permaneçam obscuras.

A realidade é que muitos dispositivos domésticos inteligentes têm um histórico de práticas de segurança questionáveis, apesar de operarem nas áreas mais privadas das nossas vidas. Estudos de mercado indicam que os consumidores não estão apenas a adotar estes dispositivos, mas também a procurar ativamente mais. Em 2020, mais de 54 milhões de lares nos EUA já tinham pelo menos um dispositivo doméstico inteligente instalado.

O Futuro da Automação Residencial

Empresas como Tesla e Figure estão correndo para desenvolver robôs humanóides totalmente autônomos para uso doméstico. Estas máquinas exigirão um acesso sem precedentes aos detalhes íntimos das nossas casas para funcionarem eficazmente. Isto levanta uma perspectiva assustadora: para os intervenientes maliciosos, o potencial de exploração é imenso.

A descoberta acidental de Azdoufal serve como um lembrete claro de que a pressa em adotar a tecnologia de casa inteligente deve ser temperada com medidas de segurança rigorosas. Embora ele quisesse simplesmente controlar seu robô com um joystick, sua experiência expôs uma falha fundamental na arquitetura dos dispositivos conectados. À medida que a tecnologia avança, a linha entre conveniência e vigilância continuará a se confundir, exigindo maior vigilância tanto dos fabricantes quanto dos consumidores.